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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A Felicidade É Intransigente

Quase não é nada! Ter ou não ter, ser ou não ser, fazer ou não fazer, conquistar ou esquecer... 
O quase nunca trará felicidade! 

A felicidade, muitas vezes, exige decisões radicais! Temos de aceitar a realidade como ela é, mesmo que esta doa demais! A mentira e a ilusão só adiam o inevitável: a derradeira dor! Viver para sofrer, para morrer um pouco todos os dias... é melhor pôr termo à vida de uma só vez! Não vale a pena, portanto, manter na nossa vida o que perturba o nosso sossego, o que não nos engrandece, o que não nos desafia, quem não reconhece o nosso valor/ mérito, quem não nos apoia ou incentiva...

Devemos sempre zelar pela nossa felicidade. Nada nem ninguém é mais importante do que o nosso bem-estar! Se tu não fores feliz, nunca farás ninguém realmente feliz... É simples! Sê feliz sozinho, em primeiro lugar. Assim, a tua felicidade jamais estará vulnerável! É somente tua! Não dependerás de ninguém! Podes, eventualmente, incrementar essa felicidade ao lado de uma pessoa que te ame, que te respeite, que te aceite naturalmente imperfeito...
É muito difícil encontrar a "tal pessoa", hoje em dia... Confesso! Não desanimes! Sê exigente... Eu, pessoalmente, nunca considerei a mediocridade uma opção! Dar tudo por tudo... sempre! Ninguém (que conheça o seu potencial) quer nada nem ninguém "mais ou menos"...

É importante relembrar: muda o que podes mudar e esquece o que não podes alterar. A vida é breve demais! Não percas tempo desnecessariamente! Concentra-te mais na lógica e menos no coração! É difícil, mas só assim serás forte. Sem força... não tens poder. Sem poder... definharás. Queres ser um vencedor ou não? Não desperdices a tua vida!  Aproveita-a!  Valoriza-te e nunca percas a vontade de aprender, de te aperfeiçoar... Sê humilde!
A arrogância não confere nem inteligência, nem beleza, nem poder, nem respeito... Torna-te simplesmente inconveniente e estúpido!

A audácia e a perseverança são dois dos principais ingredientes da felicidade. A plena felicidade é impossível... O ser humano nunca estará totalmente satisfeito! É um facto! A vida é curta demais e, por isso, devemos estabelecer prioridades. Quem tudo quer, tudo perde... Simples! Vagueias sem direção...
A felicidade é metódica! A felicidade não nos cai no colo... Tens de a conquistar! Tens de lutar, suar, chorar... Tentar! Acredita em ti! Só assim poderás ser feliz, dado que não há outra maneira, caminho ou opção!

Eu... só tenho um objetivo nesta vida: ser feliz e espalhar essa felicidade no meu trabalho, círculo de amigos, e talvez um dia partilhe essa felicidade com alguém entre as quatro paredes da minha casa. Sem pressas... Sou perfecionista! Prefiro dois segundos de verdadeira e intensa felicidade a dez segundos de aparente felicidade. Não podes ter um belo jardim se simplesmente lançaste as sementes ao sabor do vento... 

Nélson José Ponte Rodrigues
05-11-2014


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Poemas - Excertos

Poemas - PT

Excerto do Poema - Respirar

"Respirar,
A melhor forma de gritar
Sem perturbar.
Contudo,
A mágoa insiste em ficar!"

Excerto do Poema - Amar... Ontem, Hoje e Amanhã!

"Amar,
Quando eu não penso em mim sem pensar em ti,
E quando não pensas em ti sem pensar em mim.
O meu e o teu mundo…
O nosso mundo."

Excerto do Poema - A Luz Desse Teu Olhar

"Se um dia encontrar
A luz desse teu olhar,
Sincero e terno,
Eu não a irei largar,
Junto a ti irei ficar."

Excerto do Poema - Despir Um Olhar

"Nos teus olhos vejo o que quero ver
Sem uma palavra dizer.
Nada é possível esconder
Onde grita o teu querer."

Excerto do Poema - Abrigo

"Há quem corra
Para esquecer...
No fundo, para evitar sofrer.
Há quem corra
Por não saber
O que realmente quer."


Excerto do Poema - Insaciável Ambição

"Quero ir mais além
Sem depender de ninguém.
Quero caminhar
E jamais recuar.
Não gosto de perder tempo,
Nem de guardar sonhos no pensamento."

Excerto do Poema - Ousa Voar / Ousa Arriscar

"Para quê sofrer,
Quando o mundo lá fora
Tem tanto para oferecer?
Para quê chorar,
Quando tens tanto para conquistar?

Ousa voar,
Em vez de planar.
Ousa arriscar,
Em vez de definhar."

Excerto do Poema - Tempo, Um Eterno Fugitivo

"O tempo não devolve nada a ninguém,
Nem a vida de alguém.
Preserva o verdadeiro amor 
Daqueles que te dão valor.
Não tragas dor ou deceção,
Nem partas o coração
De quem te colocou num pedestal,
Pois até isso é de cristal."

* Cerca de 50 poemas escritos até à data.

                  23-06-2014 
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Análise Do Filme “Sunset Boulevard” De Billy Wilder (1950)

“Sunset Boulevard” ou “Crepúsculo dos Deuses” (tradução), realizado em 1950, é um verdadeiro clássico cuja história não envelhece. Este clássico do cinema norte-americano de Billy Wilder, vencedor de três Oscars, é uma verdadeira sátira acerca do lado sombrio do ser humano e da indústria do cinema norte-americana.
Este drama conta com a participação de Gloria Swanson, William Holden e Erich Von Stroheim, nos papéis principais. O argumento foi escrito por Billy Wilder, Charles Brackett e D. M. Marshman Jr. Este filme foi baseado na história “A can of beans” da autoria dos dois primeiros autores referidos anteriormente. É uma das mais famosas obras cinematográficas de sempre, a qual retrata o estilo de vida da Meca do Cinema, ou seja, Hollywood. A vaidade, a obsessão, a loucura, a falta de escrúpulos e a morte são alguns dos temas dominantes desta história que aborda o “star-system” e o funcionamento impiedoso do meio cinematográfico.
 Este filme está repleto de humor, sarcasmo e drama. Esta história, por um lado, foi aplaudida e elogiada pelos seus colegas cineastas mas, por outro lado, foi criticada por aqueles que consideraram o seu retrato de Hollywood demasiado depreciativo e mordaz. Wilder dá a conhecer o lado mais obscuro e indigno desta indústria que à primeira vista parece perfeita.
No início do filme, o corpo de um homem flutua na piscina de uma mansão, a qual se localiza em Sunset Boulevard. Joe Gillis (William Holden), o homem que está morto na piscina, vai contar os acontecimentos que o levaram àquele desfecho. Ele é um argumentista que deseja desesperadamente obter algum dinheiro. Desempregado e cheio de dívidas, Joe pondera deixar Hollywood e regressar a Ohio.
Após ter fugido de uns homens que lhe pretendiam retirar o automóvel, dirige-se a uma velha mansão. Quando aí chega, uma voz feminina convida-o a entrar. Max von Mayerling (Erich Von Stroheim) é o mordomo que o conduz até Norma Desmond (Gloria Swanson), uma requintada estrela cinematográfica do cinema mudo. Norma Desmond, ex-protagonista de filmes mudos, vive numa luxuosa mansão na famosa Sunset Blvd com o seu fiel mordomo Max que outrora foi o realizador dos seus filmes. A sua vida até então mergulhada nas memórias sofre uma reviravolta quando o fracassado guionista Joe Gillis “hospeda-se” na sua casa. Este guionista (narrador desta história) que fugia de alguns cobradores utilizou a sua mansão como esconderijo para que ninguém o encontrasse. Posteriormente, Joe ouve as lamentações de Norma acerca do estado lastimável a que a indústria do cinema tinha chegado. Quando Norma descobre que Gillis é um guionista, decide mostrar lhe um rascunho de um argumento intitulado “Salome” e pede-lhe para o aperfeiçoar, rescrevendo-o. Norma pretende assim protagonizar este filme, o qual poderia catapultá-la para as luzes da ribalta novamente. Todavia, Norma impõe uma condição a Joe: ele deverá viver com ela enquanto trabalha. Constantemente observado por Norma e pelo seu misterioso mordomo Max, Joe transforma-se num prisioneiro virtual da megalómana actriz e do seu estranho passado. Tornar-se-á, mais tarde, no amante de Norma.
Posteriormente, uma jovem escritora chamada Betty desperta a criatividade e a paixão que Joe tanto ansiava, mas este está preso no mundo de Norma e passou a depender economicamente dela.
 Norma tenta suicidar-se após ter discutido com o Joe. Ao saber disto, Joe saiu imediatamente da festa do seu amigo Artie, onde conheceu Betty, e regressa a casa. Norma e Joe beijam-se e reconciliam-se.
Mais tarde, Norma envia o seu guião para o realizador da Paramount Cecil B. DeMille. Pouco depois, a Paramount telefona-lhe e Norma, assume à partida, que DeMille telefonou-lhe. Quando Norma visita DeMille no estúdio, este recusa a sua proposta gentilmente. Norma, apesar de ter sido rejeitada por aquele que julgava que realizaria o seu próximo filme, não desiste.
Entretanto, o Joe visita a Betty, a qual faz-lhe uma proposta, sendo esta escrever um guião em conjunto.
Max conta a Joe que o telefonema da Paramount, que Norma havia recebido, tinha como objectivo o aluger do seu carro antigo e não a sua contracção.
Apesar de ter sido rejeitada, Norma continua a preparar o seu regresso ao cinema, enquanto Joe escreve secretamente um guião com a Betty.
Max receia que Norma descubra a verdade. Ele conta ao Joe que ele a tem protegido da verdade desde do momento que ele, um ex-realizador, a transformou numa estrela. Ele foi o seu primeiro marido e desistiu do seu trabalho para se dedicar a ela dado que ainda a amava.
Betty revela estar completamente apaixonada por Joe.
Pouco depois, Norma descobre o guião escrito pelo Joe e pela Betty e, em seguida, telefona à Betty para dar-lhe a conhecer o verdadeiro Joe (uma tentativa para separa-los). Entretanto, Joe convida Betty a visitá-lo na mansão onde ele diz-lhe que ele “pertence” a Norma. Betty pede-lhe para partir com ela, mas ele finge estar mais interessado no estilo de vida proporcionado pela Norma. Quando a Betty sai, Joe prepara-se para deixar a Norma, usando somente os seus bens e roupas iniciais. Finalmente, Joe conta a Norma toda a verdade, dizendo-lhe que ela nunca faria um filme com DeMille, diz-lhe que o estúdio só estava interessado no seu carro e conta-lhe ainda que Max escrevia as cartas dos fãs que ela recebia. Norma enlouquece e assassina-o.   
A polícia tenta interrogá-la mas esta estava completamente “hipnotizada” pelo frenesim à sua volta. Quando ela vê câmaras na sua casa, julga estar prestes a representar. Uma vez mais, Max participa no devaneio da sua patroa.[1] Ela desce as escadas em direcção ao carro da polícia e diz o quão feliz está por poder regressar ao mundo do cinema.
Norma representa uma mulher que anseia recuperar a fama que outrora detinha, cuja determinação a afasta da realidade que a atormenta. Ela, apesar de estar afastada do cinema há 25 anos, recusa-se a aceitar que o público e a indústria cinematográfica já a esqueceram.
Sentimentos tais como a solidão a saudade e a vaidade assombram a vida de Norma. Os novos rostos e, especialmente, as novas vozes, que dariam um novo ímpeto ao cinema, constituíram uma maldição para esta actriz pois foi forçada a abandonar o mundo que tanto idolatrava.
Norma Desmond, agressiva e grotesca, retrata a decadência dos sobreviventes de da era muda do cinema e recusa-se a aceitar o seu novo estatuto de “estrela reformada”.
Hollywood pode catapultar um ser humano para o centro dos holofotes e da fama o que, por vezes, distancia-o do mundo real. A longevidade de uma “estrela”, frequentemente efémera, pode assumir diferentes contornos no final da sua carreira uma vez que pode concretizar um mero sonho de um indivíduo ou então pode deixar um sabor amargo na boca daqueles que já atingiram o clímax da sua existência. Estas ex-estrelas que estavam habituadas a um mundo de extravagâncias e de glamour ao perderam aquilo que as distinguia do resto do mundo são forcadas a aterrar numa realidade monótona e até cruel o que pode enlouquece-las. Neste período, Hollywood rescindiu inúmeros contratos com as estrelas dos filmes mudos o que gerou o desemprego das “antigas estrelas” que tiveram de abdicar do seu posto de trabalho.
Neste filme, DeMille e Hedda Hopper interpretam personagens que não se afastam muito deles próprios na vida real. Contudo, a história de Norma, interpretada pela actriz Glória Swanson, é baseada na sua própria experiência pois ela que outrora tinha alcançado um enorme sucesso no cinema mudo, estava naquela época praticamente esquecida. Portanto, Gloria estava representar uma personagem que ninguém poderia representar melhor do que ela própria o que conferiu à seu personagem “Norma” uma enorme autenticidade e credibilidade. A sua postura e o modo como falava permanecerão inesquecíveis.
Talvez o único defeito do filme seja a sua previsibilidade pois o realizador não esconde o que muito provavelmente irá acontecer, principalmente no início do filme, no qual o clima pesado da história prepara o público para algo pior (o filme começa pelo final), que está prestes a acontecer. Esta história denuncia o lado podre de Hollywood, que o realizador Wilder tão bem conhecia. Ele teve a coragem de realizar este filme o que demonstra a sua audácia pois estava a arriscar a sua carreira.
O polémico Wilder, antes da estreia do filme, foi obrigado a alterar a introdução do filme, que se passava dentro de uma morgue, na qual os mortos conversavam acerca do motivo pelo qual morreram. Esta cena foi banida do filme dado que foi considerada mórbida mas, na verdade, trata-se de uma cena hilariante (a qual pode ser observada nas cenas extras do DVD deste filme).
O que Wilder testemunhou na década de 1950, há cerca de 60 anos atrás, tem se vindo a agravar visto que actualmente as ditas estrelas são consideradas “mercadoria” que a partir do momento que deixa de ser rentável, deixa de ser útil para o estúdio que a contratou.
As operações plásticas e as dietas extremas são uma das formas que os actores e actrizes são forcados a recorrer quando a sua carreira começa a abrandar. Por isso, a seguinte célebre frase alerta todos aqueles que optem por uma carreira no meio do entretenimento: “today you might be hot but tomorrow you might be not”, isto é, hoje podes estar no auge mas amanhã poderás assim não estar. Por outras palavras, a carreira de qualquer “estrela” pode ser muito breve embora esta alcance um estrondoso sucesso num determinado período da sua vida.
Em suma, este filme critica a própria indústria cinematográfica pois esta era capaz de produzir verdadeiros “deuses” mas, por outro lado podia também relegá-los a um profundo esquecimento quando estes perdessem o seu “brilho”. Norma é uma prisioneira das suas memórias que a atormentam pois, como tantas outras estrelas do cinema do mundo, perdeu o seu emprego quando o cinema passou a dar voz aos personagens. Vive reclusa na sua própria mansão, à margem da sociedade que outrora a venerava. Ela não está somente presa na sua mansão, mas também está presa num mundo insano que ela própria criou para a salvaguardar das suas frustrações e receios, nomeadamente, não voltar a representar. Norma já não representa há 25 anos mas continua a acreditar que um dia voltará a representar. Vive, portanto, num mundo repleto de ilusões. As suas esperanças são alimentadas pelas centenas de cartas de fãs que ainda recebe, embora desconheça que estas sejam enviadas pelo seu mordomo Max. Tudo o que pertence a Norma é decadente: as suas roupas, o seu automóvel, a sua mansão, a sua mobília e as suas ideias. Ela vive uma vida angustiante pois recusa-se a aceitar a sua nova vida. O mordomo é outra dos personagens principais deste filme porque é o confidente leal de Norma. A principal função é fazer de tudo para mantê-la imersa nas suas ilusões e devaneios. O desejo exacerbado de Norma pela fama e pelo reconhecimento que outrora conquistou é doentio. Este desejo de regressar ao cinema é fortemente apoiado pelo seu mordomo que não é capaz de acorda-la daquela ilusão (ela recusa-se a aceitar que envelheceu e que o mundo do cinema evoluiu deste então, ao contrária dela). Os seus dias de fama há muito terminaram mas ela ignora isso.
Por fim, Joe é outro dos personagens centrais deste enredo que foge do seu próprio passado mas que acaba por ter de conviver com o passado de uma outra personagem. Joe tornou-se no chimpanzé, com o qual havia sonhado, pois agora fazia tudo aquilo que a sua dona o obrigava para que ele fosse sustentado pela mesma. Parece que o sonho que teve era um prenúncio do seu futuro.
Norma ao não conseguir seguir um novo rumo ou adaptar-se à nova realidade e a sua profunda ligação ao passado torna-a vulnerável à insanidade e ao descontrolo. Quando Joe conta-lhe toda a verdade e esta vê a verdadeira realidade, por alguns momentos, Norma afasta-se do seu mundo imaginário o que se revelou fatal para ambos porque Joe morre e Norma é presa.
            Neste enredo, Billy Wilder cria uma linha quase imperceptível entre fantasia e a realidade o que simultaneamente dá origem a um série de problemas. Norma é a prova disso!



Video - Sunset Blvd. (1950) Trailer :

Sources:


[1] Nesta cena do filme, Max continua a participar no devaneio da sua patroa, a qual é incapaz de perceber que está prestes a ser presa:
Max: Are you ready, Norma?Norma: What is the scene? Where am I?
Max: This is the staircase of the palace.
Norma: (readying herself) Oh yes, yes. Down below, they're waiting for the princess. I'm ready.
Max: (shouting) All right. Cameras! Action!
 2008


Análise Do Videoclip “Imagine”

John Lennon é uma das maiores lendas da música por várias razões. Este cantor foi um dos membros de uma das bandas mais importantes da História da música: “Os Beatles”. Quando observamos as digressões desta banda e o modo como os seus fãs os perseguiam e os veneravam podemos concluir que os Beatles revolucionaram o mundo da música. A música “Imagine” de John Lennon reflecte o seu estilo de vida e as suas crenças. Esta canção possui uma mensagem: “make love not war”. Trata-se, portanto, de um apelo à paz e à mútua compreensão entre os seres humanos.
Elvis Presley é outra das lendas musicais desta época pois algumas das suas fãs desmaiavam ou ficavam histéricas quando este passava perto delas. Até então, nunca se tinha visto nada assim. Ambos foram os pioneiros de um novo estilo musical, o rock n’ roll. Aparentemente, os Beatles tinham-se tornado numa nova religião dado o enorme número de seguidores que os ouviam e os perseguiam. Esta loucura em torno dos elementos desta banda tornavam-nos tão ou mais populares do que o próprio Jesus Cristo. Infelizmente, em 1980, a loucura virou tragédia quando John Lennon foi assassinado, perto da sua casa, por um dos seus seguidores. Para compreender o impacto de John Lennon no panorma musical e cultural é necessário recuar no tempo.
O jazz e o blues dominaram o panorama musical, entre os anos 20 e 50 (séc.XX), antes do aparecimento do rock n’ roll. Nos anos 60, poucos cantores ou bandas desencadeavam um ambiente de plena histeria. John Lennon tornou-se um ícone da cultura pop não só pela sua música, mas também pela sua intervenção social. Lennon aproveitou-se assim da sua fama para divulgar as crenças. Quando John Lennon permaneceu vários dias deitado com com a sua mulher Yoko Ono em prol de uma causa hippie que protestava contra a discriminação racial e cultural, as cadeias televisivas aproveitaram o momento, tornando-o num dos mais polémicos da história da Televisão. Lennon, em nome da paz, também se opôs à guerra do Vietname. Na década de 70, este cantor era o novo Messias que promovia a paz e a compreensão.
A música “Imagine” representa uma utopia (um mundo perfeito, sem desigualdades) o que para muitos denuncia a ingenuidade ou a insensatez de Lennon uma vez que tal utopia não passa de um sonho. Esta música transmite assim uma enorme esperança a todos aqueles que ambicionam viver num mundo melhor.
No primeiro verso (“Imagine there’s no heaven (…) no hell bellow us(…)” Lennon não quer condenar ninguém, simplesmente quer criar uma sociedade cooperante. Este activista da paz pretendia acima de tudo viver num mundo sem barreiras raciais, culturais e dispensava qualquer tipo de crença religiosa pois esta discrimina ou menospreza as outras religiões e ainda pode provocar guerras (a recente guerra do Iraque, por exemplo). No verso “Imagine there’s no countries “ (…) Nothing to kill or die for, and no religion too, imagine all the people living life in peace (…)”, Lennon mostra que o patriotismo ou a religião pode separar as pessoas em vez de junta-las.
O ritmo da música e o tom de voz, presente nesta canção, transporta-nos para uma dimensão relaxante e paradisíaca. Apesar de se tratar de uma música simples e suave pretende provocar uma mudança no pensamento e comportamento humano que tende a valorizar cada vez os bens materiais e o poder social. No verso “ (…) Imagine no possessions (…) no need greed or hunger, a brotherhood of man, imagine all the people sharing all the world (…)”, podemos verificar que a sociedade idealizada por John promove a igualdade e a valorização do ser humano independentemente da sua posição social ou bens materiais. O ser humano, por natureza, nunca está satisfeito como o que tem o que o pode levar a adoptar atitudes incorrectas e desonestas de modo a alcançar fama ou fortuna. A ambição, a ganância e a inveja são, por vezes, difíceis de distinguir.
O título da música “Imagine” mostra também a distância entre a imaginação e a realidade porque a maior parte dos seres humanos sonham ou imaginam algo que, frequentemente, não obtêm. A imaginação é o nosso refúgio da realidade. Tal como Lennon, muitos indivíduos tomam drogas que os “libertam” temporariamente deste mundo intolerante e cruel.
Nesta canção e na vida real, John Lennon considera-se um sonhador e apela a todos que o são para se juntarem a ele nesta jornada rumo à paz.
As imagens do videoclip, por si só, também apelam à paz. Quando a música começa, John e Yoko passeiam por um jardim sombrio e dirigem-se a uma enorme e espaçosa casa branca desprovida de mobília (a ideia de simplicidade e espaço). Por cima da porta de entrada podemos ler a seguinte mensagem: “This is not here”. Esta mensagem pode ser interpretada de duas formas: ou aquela casa não é o lugar perfeito (pois tal lugar não existe na Terra) ou então a mensagem destinava-se a alguém que procurava uma casa grande enquanto símbolo de riqueza.
Enquanto John toca piano na sala, Yoko Ono abre as cortinas da sala o que, na minha opinião, transmite uma mensagem: é necessário “abrir” a mentes humana, nomeadamente, as mais conservadoras para que estas se tornem mais tolerantes. Esta sala branca e iluminada simboliza a paz. No final da música, Yoko senta-se ao lado de John o que pode transmitir a ideia de união.
A mensagem desta música é bastante explícita e independentemente da nossa opinião acerca da mesma, “Imagine” é uma música intemporal pois a sua mensagem ainda se aplica aos nossos dias pois vivemos num mundo intolerante e o 11 de Setembro de 2001 é uma das provas disso. Logo, o caminho para a harmonia mundial é moroso e praticamente inatingível. Segundo John, como já referi, o mundo perfeito não teria nenhuma religião, os bens materiais não seriam valorizados e não existiriam fronteiras territoriais pois viveríamos numa única sociedade. Será que o ser humano é capaz de mudar o mundo? Não estaremos nós demasiados acomodados em relação aos acontecimentos à nossa volta? Estaremos nós à espera que alguém mude as coisas enquanto nós permanecemos nos bastidores?
A esperança é a última a morrer mas sem iniciativa e sem espírito de equipa não se consegue chegar a lado nenhum. A iniciativa é o primeiro passo, mas para alcançar o mundo perfeito precisamos também de aprender a respeitar os outros. Seremos capazes de abandonar as nossas crenças, valores e o nosso egocentrismo?
Video:  http://www.youtube.com/watch?v=DVg2EJvvlF8
2008

O Poder Da Imagem: A Realidade Ficcionada



A célebre frase “Uma imagem vale mais do que mil palavras” diz tudo! Actualmente, a imagem não é só utilizada para entreter mas também para persuadir a audiência. O sucesso de qualquer produto ou serviço depende da campanha publicitária pois esta irá atrair (ou não) o público, dando-lhe a conhecer o que vende. Qualquer campanha publicitária deve captar a atenção e suscitar o interesse do público. Muitos publicitários utilizam as palavras “inovador” e “único” para caracterizarem o seu produto. Consequentemente, neste mundo cada vez mais mediático, as convenções morais e éticas tendem em perdem o seu valor. Em Portugal e não só, o programa “Big Brother” revolucionou o panorama televisivo graças à forma como explorava a nudez, o sexo e os conflitos interpessoais. Contudo, este conceito de “documentário da realidade” não é recente uma vez que ele foi inicialmente explorado no século XIX.  
Um Documentário, no sentido mais lato, envolve assuntos científicos ou educacionais, pode ser uma forma de jornalismo ou pode ser ainda utilizado como uma forma de propaganda política ou de expressão pessoal. Por outro lado, o Documentário Cinematográfico também explora a realidade, mas este não representa fidedignamente a realidade «tal como ela é». O documentário e o cinema de ficção são portanto uma representação parcial e subjectiva da realidade.
Para além da invenção da lâmpada e do fonógrafo (até àquela data não havia a possibilidade de reproduzir sons), entre outras, Thomas Edison inventou o “Kinetoscope”. Esta invenção iria revolucionar o mundo do cinema e obviamente da televisão.
Auguste e Louis Lumière, mais conhecidos por Irmãos Lumière, foram indiscutivelmente, os pioneiros do cinema, enquanto entretenimento de massas.
Estes realizadores exibiram os seus primeiros dez filmes ao público em 22 de Março de 1895 no “Salon Indien du Grand Café” em Paris. Esta apresentação histórica incluiu a exibição da curtíssima metragem (46 segundos) “Sortie des Usines Lumière à Lyon” (Saída dos trabalhadores da fábrica dos Lumière em Lyon). Cada filme tem 17 metros de comprimentos e a duração média de cada um deles é de aproximadamente 46 segundos. Estes filmes foram gravados graças à invenção de Léon Bouly: o “cinématographe”, que havia sido patenteado no ano anterior. Este aparelho, posteriormente aperfeiçoado pelos Irmãos Lumière, era capaz de gravar e de projectar imagens em movimento.
Em 1896,os irmãos Lumières viajam e visitam Bombaim, Londres e Nova York, levando consigo o “cinématographe”. No início do século XX, afirmam que o “cinema é uma invenção sem futuro”, mas felizmente estavam enganados. Posteriormente, abandonam o meio cinematográfico e dedicam-se à fotografia a cores.
A exibição pública dos seus filmes acerca de situações quotidianas marcou a História do Cinema. Contudo, os irmãos Lumière não são considerados os responsáveis pela criação do filme documental. Então quem é o responsável por esta invenção?
Robert Flaherty é considerado o “Pai do filme documental”. Nascido em 1884, Flaherty revolucionou o mundo do cinema e introduziu um novo género de filme: o filme documental. “Nanook of the North” (1922) é a prova disso. Este novo género foi imediatamente criticado por alguns críticos que alegavam que o filme continha cenas “encenadas”, isto é, os ditos “actores” representavam e não conseguiam agir com plena naturalidade. Em algumas das cenas, os “actores” não conseguiam ignorar a câmara e sorriam para a mesma, por exemplo. Flaherty riposta: “Por vezes, temos de mentir. Para captarmos a verdadeira essência de algo, é necessário distorce-lo[1]. Este filme baseia-se em factos reais e tentava reproduzir o quotidiano de uma família de esquimós que vivia num meio quase inóspito (nomeadamente em “Hudson Bay” na zona árctica do Quebec – Canadá).
            A partir de então surgiram outros documentários deste género tais como “Drifters” de Grierson lançado em 1929 ou “The Plow That Broke the Plains” de Pare Lorentz lançado em 1936.
            Antes do aparecimento do documentário enquanto forma de entretenimento, já existia outro género de documentário ou filme, o qual tinha como objectivo a propaganda política. Mas, nem todos utilizavam o filme de uma forma tão séria. Por exemplo, em 1918, Charlie Chaplin subsidiou e realizou um filme cómico intitulado “The Bond” acerca da Primeira Guerra Mundial. É necessário relembrar que nesta época o cinema era mudo, ou seja, o filme era composto essencialmente por imagens em movimento acompanhadas por alguém que tocava piano ou por música (numa fase posterior).
O desenvolvimento do Cinema Russo na década de 1920 permitiu a divulgação de ideais comunistas. Embora, o filme “The Battleship Potemkin” do russo Eisenstein promova estes ideais, este é considerado uma das obras-primas do cinema. Eisenstein e Dziga Vertov são dois dos maiores realizadores desta época.
            Durante a Segunda Guerra Mundial, o documentário era utilizado para fazer propaganda política, divulgando deste modo ideologias políticas. O documentário era assim um valioso trunfo, quer por parte dos Nazis, quer por parte dos países aliados, dado que este era utilizado para persuadir os seus cidadãos a seguir uma determinada ideologia. Hitler conseguiu despoletar o ódio da população alemã tornando-a xenófoba em relação aos judeus, culpabilizando-os pela falta de emprego e pela instabilidade económica-social vivida. Ao vangloriar os alemães, tratando-os pela “Raça Pura”, deu-lhes a entender que estes podiam exterminar os seguidores de Judas, o delator de Jesus. Este episódio lamentável da História demonstra a forma como a hábil retórica utilizada por Hitler, na sua campanha nazista, influenciou uma nação.
Entre 1930 e 1940, os grandes ditadores dos regimes totalitários utilizaram o seu poder social para divulgar os seus ideais, censurando, perseguindo e assassinado todos aqueles que se opunham a este regime. Esta foi a “Época Dourada (e sangrenta) da Propaganda”. Em 1934, Leni Riefenstahl, um realizador que trabalhava para a Alemanha Nazi, realizou o melhor filme de propaganda de sempre “Triumph of the Will”. Este filme comissionado por Hitler documentava a reunião do partido nazi em Nuremberga.
            Filmes como “Why We Fight” de Frank Capra (divulgado pelos Estados Unidos entre 1942 e 1945) e “London Can Take It” (divulgado pelo Reino Unido em 1940) foram concebidos para encorajar o povo a enfrentar o inimigo ariano. O documentário ao reunir a força das palavras, a sumptuosidade da imagem e a componente “realidade”, embora ficcionada, torna-o num género impar.
Os documentários designados por “Cinéma Vérité” ganham notoriedade nos anos 60 do século XX. Este género de documentário privilegia a relação informal entre a câmara e o indivíduo. Pretende-se assim que o indivíduo aja com naturalidade, como se não estivessem câmaras à sua volta. A televisão foi um importante meio de difusão deste género através de programas tais como “Harvest of Shame”da CBS (1960), o qual possuía um objectivo essencialmente jornalístico, ou “Civil War” de Ken Burnss (1990) que possuía um objectivo mais educacional. “Cinema Vérité” é um termo semelhante a “Kino-Pravda”. Esta designação atribuída por Jean Rouch servia para designar a criação de Vertov: “Kino Pravda” (em Russo) significa “Cinema Vérité”, em Francês. Este género transmitia a ideia de “realidade” através da justaposição de imagens.
            Posteriormente, o “Cinema Vérité” deu origem ao conceito de “Reality TV”. Os canais de televisão criaram então os populares e rentáveis “Reality Shows” tais como:The Real World” (exibido pela MTV), “Survivor” ou “Big-Brother”. Nos “Reality Shows” os “actores” que não passam de pessoas comuns (sem qualquer formação profissional na área da representação) representam cenas previamente estipuladas, e em seguida a “realidade” é filmada. Embora o termo “Reality Television” só apareça em 2000, este género já existia desde dos primeiros anos da Televisão. Documentários e programas não ficcionais tais como as notícias e os programas desportivos não são classificados como “ Reality Shows”.
            Em 1948, estreia o programa “Candid Camera” (inspirado no programa de rádio “Candid Microphone” de 1947). O objectivo deste programa era pregar partidas a pessoas comuns, sem que estas soubessem que estavam a participar num programa de televisão. Posteriormente, este género de programas começou a ganhar audiência e em seguida passou a ocupar o horário nobre da televisão. Ao longo do tempo, estes programas começaram a ganhar outros contornos: os participantes deixavam de ser surpreendidos e começavam a encenar as cenas para que a “realidade” fosse mais apelativa. A palavra “controvérsia” começou a fazer parte destes programas.
Em alguns “talk shows”, nomeadamente “The Jerry Springer Show”, os convidados expunham a sua vida pessoal (os episódios mais dramáticos) o que poderia originar conflitos entre eles e, por outro lado, “agarrava” o espectador ao sofá. “Lavar a roupa suja em público” passou a ser o lema destes novos programas.
Os participantes dos aclamados “Reality Shows” podem tornar-se em celebridades nacionais, embora esta fama seja bastante efémera. Alguns participantes destes programas podem eventualmente iniciar uma nova carreira: a ex-participante do
Laguna Beach: The Real Orange County”, Kristin Cavallari tornou-se numa apresentadora e actriz, por exemplo.
            Em suma, quando os documentários da vida “real” surgiram, o público em geral desenvolveu um certo interesse não só em relação à vida das celebridades mas também em relação ao quotidiano das pessoas desconhecidas. Este frenesim, em torno do que aparenta ser real enriquece as estações televisivas e prende o telespectador ao ecrã. Para muitos críticos, este tipo de programas promove a imbecilidade, a ignorância, a hipocrisia e o conflito. Alegam ainda que a sociedade consumista em que vivemos privilegia o produto de “fácil digestão”, isto é, os programas que não apelam ao raciocínio. Esta sociedade tende a não questionar a credibilidade e a veracidade daquilo que vê ou ouve. Os “mexericos” e os “estereótipos” são facilmente apreendidos e, por vezes, são os responsáveis pela discriminação e pelos juízos de valor despropositados que ainda persistem na nossa sociedade. Actualmente já existem documentários que abordam temas controversos como a droga ou o vício do jogo como o reality show intitulado “Addiction” (Vício) que acompanha o percurso penoso dos participantes rumo a uma vida mais equilibrada. A variedade de programas que dizem retratar a realidade é vasta e os prémios finais (para além do famoso cheque com uma quantia avultada) variam igualmente: o vencedor de uma série (cuja duração média é de 3meses) poderá obter um emprego numa empresa prestigiada, casar com um milionário, obter uma cirurgia plástica etc. Noutros programas, o candidato seleccionado para um dos episódios obtém uma remodelação da casa, do carro ou do guarda-roupa, por exemplo.
Mark Burnett, o próprio criador do programa “Survivor” admite que a realidade do seu “reality show” é manipulada pelos seus produtores e que, na verdade, conta histórias, isto é, o seu programa não dá a conhecer nenhuma realidade nua e crua (“I tell good stories. It really is not reality TV. It really is unscripted drama.”).
            A imagem é um dos componentes que torna este tipo de programas tão apelativo. Se a televisão não existisse, estes programas não teriam o mesmo impacto na sociedade. O outro factor responsável pelo sucesso dos “reality shows” é a imprevisibilidade da “realidade”, o que torna os concorrentes vulneráveis à mesma. Ao adicionarmos alguma intriga dentro de um grupo, apimentamos ainda mais a realidade. E assim obtemos a fórmula perfeita para conquistar a audiência!
 Nenhum documentário poderá dar conhecer verdadeiramente as experiências humanas, pois estas estão intrinsecamente ligadas ao indivíduo que as experimenta.
A imagem, por si só, não transmite emoções dado que esta depende das emoções daquele que a observa. Contudo, a imagem pode despertar emoções. Os documentários cujo objectivo é a reprodução da realidade não reproduzem a mesma na íntegra, reproduzem sim os “pontos altos” da mesma.
            Se tivéssemos o dom da omnipresença, estes programas fracassariam?

Sources:

28 de Novembro de 2008

[1] Citação original de Robert Flaherty:  "Sometimes you have to lie. One often has to distort a thing to catch its true spirit."