
Elvis Presley é outra das lendas musicais desta época pois algumas das suas fãs desmaiavam ou ficavam histéricas quando este passava perto delas. Até então, nunca se tinha visto nada assim. Ambos foram os pioneiros de um novo estilo musical, o rock n’ roll. Aparentemente, os Beatles tinham-se tornado numa nova religião dado o enorme número de seguidores que os ouviam e os perseguiam. Esta loucura em torno dos elementos desta banda tornavam-nos tão ou mais populares do que o próprio Jesus Cristo. Infelizmente, em 1980, a loucura virou tragédia quando John Lennon foi assassinado, perto da sua casa, por um dos seus seguidores. Para compreender o impacto de John Lennon no panorma musical e cultural é necessário recuar no tempo.
O jazz e o blues dominaram o panorama musical, entre os anos 20 e 50 (séc.XX), antes do aparecimento do rock n’ roll. Nos anos 60, poucos cantores ou bandas desencadeavam um ambiente de plena histeria. John Lennon tornou-se um ícone da cultura pop não só pela sua música, mas também pela sua intervenção social. Lennon aproveitou-se assim da sua fama para divulgar as crenças. Quando John Lennon permaneceu vários dias deitado com com a sua mulher Yoko Ono em prol de uma causa hippie que protestava contra a discriminação racial e cultural, as cadeias televisivas aproveitaram o momento, tornando-o num dos mais polémicos da história da Televisão. Lennon, em nome da paz, também se opôs à guerra do Vietname. Na década de 70, este cantor era o novo Messias que promovia a paz e a compreensão.
No primeiro verso (“Imagine there’s no heaven (…) no hell bellow us(…)” Lennon não quer condenar ninguém, simplesmente quer criar uma sociedade cooperante. Este activista da paz pretendia acima de tudo viver num mundo sem barreiras raciais, culturais e dispensava qualquer tipo de crença religiosa pois esta discrimina ou menospreza as outras religiões e ainda pode provocar guerras (a recente guerra do Iraque, por exemplo). No verso “Imagine there’s no countries “ (…) Nothing to kill or die for, and no religion too, imagine all the people living life in peace (…)”, Lennon mostra que o patriotismo ou a religião pode separar as pessoas em vez de junta-las.
O título da música “Imagine” mostra também a distância entre a imaginação e a realidade porque a maior parte dos seres humanos sonham ou imaginam algo que, frequentemente, não obtêm. A imaginação é o nosso refúgio da realidade. Tal como Lennon, muitos indivíduos tomam drogas que os “libertam” temporariamente deste mundo intolerante e cruel.
Nesta canção e na vida real, John Lennon considera-se um sonhador e apela a todos que o são para se juntarem a ele nesta jornada rumo à paz.
As imagens do videoclip, por si só, também apelam à paz. Quando a música começa, John e Yoko passeiam por um jardim sombrio e dirigem-se a uma enorme e espaçosa casa branca desprovida de mobília (a ideia de simplicidade e espaço). Por cima da porta de entrada podemos ler a seguinte mensagem: “This is not here”. Esta mensagem pode ser interpretada de duas formas: ou aquela casa não é o lugar perfeito (pois tal lugar não existe na Terra) ou então a mensagem destinava-se a alguém que procurava uma casa grande enquanto símbolo de riqueza.
Enquanto John toca piano na sala, Yoko Ono abre as cortinas da sala o que, na minha opinião, transmite uma mensagem: é necessário “abrir” a mentes humana, nomeadamente, as mais conservadoras para que estas se tornem mais tolerantes. Esta sala branca e iluminada simboliza a paz. No final da música, Yoko senta-se ao lado de John o que pode transmitir a ideia de união.
A mensagem desta música é bastante explícita e independentemente da nossa opinião acerca da mesma, “Imagine” é uma música intemporal pois a sua mensagem ainda se aplica aos nossos dias pois vivemos num mundo intolerante e o 11 de Setembro de 2001 é uma das provas disso. Logo, o caminho para a harmonia mundial é moroso e praticamente inatingível. Segundo John, como já referi, o mundo perfeito não teria nenhuma religião, os bens materiais não seriam valorizados e não existiriam fronteiras territoriais pois viveríamos numa única sociedade. Será que o ser humano é capaz de mudar o mundo? Não estaremos nós demasiados acomodados em relação aos acontecimentos à nossa volta? Estaremos nós à espera que alguém mude as coisas enquanto nós permanecemos nos bastidores?
A esperança é a última a morrer mas sem iniciativa e sem espírito de equipa não se consegue chegar a lado nenhum. A iniciativa é o primeiro passo, mas para alcançar o mundo perfeito precisamos também de aprender a respeitar os outros. Seremos capazes de abandonar as nossas crenças, valores e o nosso egocentrismo?
Video: http://www.youtube.com/watch?v=DVg2EJvvlF82008
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