A célebre frase “Uma imagem vale mais do que mil palavras” diz tudo! Actualmente, a imagem não é só utilizada para entreter mas também para persuadir a audiência. O sucesso de qualquer produto ou serviço depende da campanha publicitária pois esta irá atrair (ou não) o público, dando-lhe a conhecer o que vende. Qualquer campanha publicitária deve captar a atenção e suscitar o interesse do público. Muitos publicitários utilizam as palavras “inovador” e “único” para caracterizarem o seu produto. Consequentemente, neste mundo cada vez mais mediático, as convenções morais e éticas tendem em perdem o seu valor. Em Portugal e não só, o programa “Big Brother” revolucionou o panorama televisivo graças à forma como explorava a nudez, o sexo e os conflitos interpessoais. Contudo, este conceito de “documentário da realidade” não é recente uma vez que ele foi inicialmente explorado no século XIX.
Um Documentário, no sentido mais lato, envolve assuntos científicos ou educacionais, pode ser uma forma de jornalismo ou pode ser ainda utilizado como uma forma de propaganda política ou de expressão pessoal. Por outro lado, o Documentário Cinematográfico também explora a realidade, mas este não representa fidedignamente a realidade «tal como ela é». O documentário e o cinema de ficção são portanto uma representação parcial e subjectiva da realidade.
Para além da invenção da lâmpada e do fonógrafo (até àquela data não havia a possibilidade de reproduzir sons), entre outras, Thomas Edison inventou o “Kinetoscope”. Esta invenção iria revolucionar o mundo do cinema e obviamente da televisão.
Auguste e Louis Lumière, mais conhecidos por Irmãos Lumière, foram indiscutivelmente, os pioneiros do cinema, enquanto entretenimento de massas.
Estes realizadores exibiram os seus primeiros dez filmes ao público em 22 de Março de 1895 no “Salon Indien du Grand Café” em Paris. Esta apresentação histórica incluiu a exibição da curtíssima metragem (46 segundos) “Sortie des Usines Lumière à Lyon” (Saída dos trabalhadores da fábrica dos Lumière em Lyon). Cada filme tem 17 metros de comprimentos e a duração média de cada um deles é de aproximadamente 46 segundos. Estes filmes foram gravados graças à invenção de Léon Bouly: o “cinématographe”, que havia sido patenteado no ano anterior. Este aparelho, posteriormente aperfeiçoado pelos Irmãos Lumière, era capaz de gravar e de projectar imagens em movimento.
Em 1896,os irmãos Lumières viajam e visitam Bombaim, Londres e Nova York, levando consigo o “cinématographe”. No início do século XX, afirmam que o “cinema é uma invenção sem futuro”, mas felizmente estavam enganados. Posteriormente, abandonam o meio cinematográfico e dedicam-se à fotografia a cores.
A exibição pública dos seus filmes acerca de situações quotidianas marcou a História do Cinema. Contudo, os irmãos Lumière não são considerados os responsáveis pela criação do filme documental. Então quem é o responsável por esta invenção?
A partir de então surgiram outros documentários deste género tais como “Drifters” de Grierson lançado em 1929 ou “The Plow That Broke the Plains” de Pare Lorentz lançado em 1936.
Antes do aparecimento do documentário enquanto forma de entretenimento, já existia outro género de documentário ou filme, o qual tinha como objectivo a propaganda política. Mas, nem todos utilizavam o filme de uma forma tão séria. Por exemplo, em 1918, Charlie Chaplin subsidiou e realizou um filme cómico intitulado “The Bond” acerca da Primeira Guerra Mundial. É necessário relembrar que nesta época o cinema era mudo, ou seja, o filme era composto essencialmente por imagens em movimento acompanhadas por alguém que tocava piano ou por música (numa fase posterior).
O desenvolvimento do Cinema Russo na década de 1920 permitiu a divulgação de ideais comunistas. Embora, o filme “The Battleship Potemkin” do russo Eisenstein promova estes ideais, este é considerado uma das obras-primas do cinema. Eisenstein e Dziga Vertov são dois dos maiores realizadores desta época.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o documentário era utilizado para fazer propaganda política, divulgando deste modo ideologias políticas. O documentário era assim um valioso trunfo, quer por parte dos Nazis, quer por parte dos países aliados, dado que este era utilizado para persuadir os seus cidadãos a seguir uma determinada ideologia. Hitler conseguiu despoletar o ódio da população alemã tornando-a xenófoba em relação aos judeus, culpabilizando-os pela falta de emprego e pela instabilidade económica-social vivida. Ao vangloriar os alemães, tratando-os pela “Raça Pura”, deu-lhes a entender que estes podiam exterminar os seguidores de Judas, o delator de Jesus. Este episódio lamentável da História demonstra a forma como a hábil retórica utilizada por Hitler, na sua campanha nazista, influenciou uma nação.
Entre 1930 e 1940, os grandes ditadores dos regimes totalitários utilizaram o seu poder social para divulgar os seus ideais, censurando, perseguindo e assassinado todos aqueles que se opunham a este regime. Esta foi a “Época Dourada (e sangrenta) da Propaganda”. Em 1934, Leni Riefenstahl, um realizador que trabalhava para a Alemanha Nazi, realizou o melhor filme de propaganda de sempre “Triumph of the Will”. Este filme comissionado por Hitler documentava a reunião do partido nazi em Nuremberga.
Filmes como “Why We Fight” de Frank Capra (divulgado pelos Estados Unidos entre 1942 e 1945) e “London Can Take It” (divulgado pelo Reino Unido em 1940) foram concebidos para encorajar o povo a enfrentar o inimigo ariano. O documentário ao reunir a força das palavras, a sumptuosidade da imagem e a componente “realidade”, embora ficcionada, torna-o num género impar.
Em 1948, estreia o programa “Candid Camera” (inspirado no programa de rádio “Candid Microphone” de 1947). O objectivo deste programa era pregar partidas a pessoas comuns, sem que estas soubessem que estavam a participar num programa de televisão. Posteriormente, este género de programas começou a ganhar audiência e em seguida passou a ocupar o horário nobre da televisão. Ao longo do tempo, estes programas começaram a ganhar outros contornos: os participantes deixavam de ser surpreendidos e começavam a encenar as cenas para que a “realidade” fosse mais apelativa. A palavra “controvérsia” começou a fazer parte destes programas.
Em alguns “talk shows”, nomeadamente “The Jerry Springer Show”, os convidados expunham a sua vida pessoal (os episódios mais dramáticos) o que poderia originar conflitos entre eles e, por outro lado, “agarrava” o espectador ao sofá. “Lavar a roupa suja em público” passou a ser o lema destes novos programas.
Os participantes dos aclamados “Reality Shows” podem tornar-se em celebridades nacionais, embora esta fama seja bastante efémera. Alguns participantes destes programas podem eventualmente iniciar uma nova carreira: a ex-participante do
“Laguna Beach: The Real Orange County”, Kristin Cavallari tornou-se numa apresentadora e actriz, por exemplo.
Mark Burnett, o próprio criador do programa “Survivor” admite que a realidade do seu “reality show” é manipulada pelos seus produtores e que, na verdade, conta histórias, isto é, o seu programa não dá a conhecer nenhuma realidade nua e crua (“I tell good stories. It really is not reality TV. It really is unscripted drama.”).
Nenhum documentário poderá dar conhecer verdadeiramente as experiências humanas, pois estas estão intrinsecamente ligadas ao indivíduo que as experimenta.
A imagem, por si só, não transmite emoções dado que esta depende das emoções daquele que a observa. Contudo, a imagem pode despertar emoções. Os documentários cujo objectivo é a reprodução da realidade não reproduzem a mesma na íntegra, reproduzem sim os “pontos altos” da mesma.
Se tivéssemos o dom da omnipresença, estes programas fracassariam?
Sources:
28 de Novembro de 2008
[1] Citação original de Robert Flaherty: "Sometimes you have to lie. One often has to distort a thing to catch its true spirit."


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